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terça-feira, 17 de novembro de 2009

Sacanagem freudiana no ritmo On the road

Amigos, a história que vou narrar agora parece surreal, mas, juro, é tudo verdade. Na semana passada inventei de ir para Santo Ângelo. Tarefa aparentemente simples. Saí do meu apartamento aqui em Porto Alegre às 10 horas da manhã de quinta-feira. Cheguei em Santo Ângelo exatamente 20 horas depois disso, às 6 horas da manhã de sexta.
Agora, vamos aos fatos. Saí do Partenon rumo à estação do trem com destino a Sapucaia. Objetivo: ir de carona com meu sogro até Santo Ângelo. Tudo perfeito. Saí ás 10 horas, cheguei lá pouco antes do meio-dia. Almocei com ele e com os operários que trabalham na obra do Fórum do município. Por volta das duas horas da tarde, meu sogro, dois funcionários e eu, ganhamos a estrada, felizes da vida, rumo à capital missioneira! Abri o vidro da camionete para sentir o vento bater em meu rosto. Mais uma vez estava na estrada! Viva On the road! Viva Keroac! Viva Che Guevara e sua motocicleta maluca! Viva a carona!
Porém, em pouco tempo avistamos uma viatura da Polícia Rodoviária Federal. Se o que fizeram é certo ou errado, não sei, mas eis o que aconteceu, sem julgamento de valor ou acusações: a viatura nos seguiu por cerca de 40 quilômetros. Meu sogro ia dirigindo, mantendo o veículo a uns 90 km/h, reduzindo conforme o trecho, já para evitar incômodos. No entanto, os policiais fizeram sinal para que parássemos Meu sogro estacionou no canto da pista, e, antes dos policiais realizarem a abordagem, eles mexeram na parte de trás da camionete. Não sei o que fizeram. Não vimos. Eu ainda pensei “pô, estão mexendo em nossas coisas antes da abordagem”. Já estava imaginando eles abrindo a minha mala e se deparando com Guy Debod, Stuart Mill, Freud, Felipe Pena, Erico Verissimo, Nelson Rodrigues, todos eles dividindo espaço com minhas cuecas e meias sujas, em perfeita harmonia.
Depois disso, um deles bateu no vidro do caroneiro de trás, onde estava sentado o Alemão, e pediram para que ele baixasse o livro. Dali, começou a fazer perguntas para o meu sogro, do tipo, de onde vínhamos, para onde íamos, etc. Quando meu sogro desceu, outro policial começou a nos perguntar o quê um era do outro. Tratei de dizer que o motorista era meu sogro, e os outros dois eram funcionários. Pela cara dele, nossas explicações não convenciam. Mandaram a gente seguir para o posto da PRF mais próximo. Lá fomos nós, até o tal do posto Tabaí/Canoas. Chegando lá, meu sogro desceu para conversar com um dos policiais e logo voltou dizendo que os policias queriam apreender a camionete porque a placa estava sem o tal do lacre. Cadê as câmeras? É pegadinha? Cadê o Ivo Holanda? Cadê o Serginho Malandro?
Descemos todos da camionete. Enquanto meu sogro estava dentro da casinha dos policiais (sei lá como se chama aquela joça), outro deles soltou dois cães farejadores que estavam em um canil. Um dos guaipecas mijou no pneu da camionete, descaradamente. Fiquei calculando se o desgranido ia farejar o Freud e minhas cuecas sujas. Já pensou, o policial diria “aha!” e abriria minha mala e daria de cara com a “A sexualidade feminina” enrolada em uma cueca suja e meu humilde livrinho com meu conto da Nescafé embalado em uma meia com cheiro adocicado de chulé.
Dentro de pouco tempo, meu sogro voltou de lá dizendo que realmente iriam levar a camionete. Fomos de carona com o guincho até um lugar que, não tenho certeza, parecia ser o Detran, como de fato acho que era. Não manjo muito bem essas paradas de órgãos fiscalizadores de veículos, mas enfim, para nos liberar, um pessoal iria lá colocar o maldito lacre na camionete, e, depois disso, todas essas ações hiper, mega, ultra-racionais precisavam entrar no tal do sistema, tão rápido quanto o Chapolin Colorado. Sempre o sistema. Eram quatro horas da tarde, e o postinho fechava às cinco, ou seja, tínhamos uma hora para isso. O problema é que, além do lacre, eles teriam que fazer toda uma checagem no veículo. Que cosa. Esse é o Brasil! Fiquei calculando quantos carros roubados devem passar por lá por dia, e eles param, atacam, acusam indiretamente e apreendem o veículo de três sujeitos que estavam trabalhando e de um estudante pobre com livros do Freud e da Nescafé na bagagem.
Como era esperado, não deu tempo, e tive que retirar minha mala do veículo com vários pensadores dentro dela. Além das cuecas e meias, óbvio. Bom, o plano então era o seguinte: os dois funcionários e eu iríamos até Lajeado pegar o ônibus para Santo Ângelo. Ou melhor, primeiro pegaríamos um ônibus daquele lugar para Lajeado, algo em torno de 45 quilômetros. Para piorar a situação, eu estava sem dinheiro e durante a semana havia perdido o meu cartão do banco na Feira do Livro (não sei como e nem porquê, pois não comprei nenhum livro, mas enfim). Sobrou, então, para o meu sogro. Mas, antes de me condenarem, ele será recompensado futuramente com garrafas de vinho de Bento...
Enfim novamente, lá seguimos nós, rumo ao maravilhoso mundo da rodoviária de Lajeado. Não vou contar tudo que rolou lá, até porque as coisas foram um tanto paradas, mas em resumo, joguei quatro partidas de sinuca com o Alemão num boteco na frente da rodoviária (ganhei uma e perdi as restantes no detalhe e na sorte do meu oponente), assisti a Bahia 1x0 Vila Nova, Novo Mundo 0x4 Santos (futebol feminino) e River Plate 2x1 LDU. Bom, faltou dizer que no boteco tocava uma música sertaneja típica de zona, a mil, e quando estávamos lá a minha noiva ligou:
- Oi amor, que horas tu chega?
- Às seis da manhã – respondi.
- Por que???
(expliquei o que havia acontecido depois das cinco, pois tinha passado o último boletim telefônico quando ainda tínhamos esperança de sermos liberados).
- E onde tu ta agora?
- Eu? Er... Na rodoviária de Lajeado – disse, enquanto o Alemão encaçapava a bola cinco – Putz!
- O quê?
- Putz, só tem ônibus às cinco pra meia-noite...
E a música rolava ao fundo. Contei a história depois, quando cheguei, mas ela disse que não chegou a ouvir o fundo musical. E, lá por volta das sete, ainda conhecemos um cara super-gente fina. Agora não tenho certeza, mas acho que o nome dele é Paulo. Ele teve que ir para a rodoviária cedo, pois morava em uma cidadezinha ali perto e tinha que esperar o mesmo ônibus que nós para ir até Ibirubá. No fim, acabamos conversando tomando umas Skóis como se fôssemos amigos há décadas. Para terminar: cheguei em casa realmente às seis da manhã, mas o restante do final de semana valeu todo o sacrifício. O pior aconteceu com meu sogro, que só conseguiu ser liberado definitivamente no sábado.
Chegando em Porto Alegre ontem, iniciou o projeto do MIT (parceria entre PUC e RBS) e hoje apresentei e entreguei trabalhos o dia inteiro e só agora, onze e pico da noite, consegui sentar, abrir uma latona de Nova Schin da promoção e escrever essas simples linhas...

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

O primeiro autógrafo


Dei o primeiro autógrafo da minha vida. Caraca, que coisa estranha. Mas antes de chegar nele, explico que domingo estive na Feira do Livro de Porto Alegre, quando foi lançado o livro “Os melhores contos para não deixar a vida esfriar”, numa promoção da Nescafé com o Grupo RBS. No total, 25 contos foram selecionados e publicados durante a Feira. Até o próximo domingo, dia 15, todos os dias, das 14h às 16h, são feitas as leituras dos contos vencedores no auditório do Espaço Pasárgada, com a presença de alguns dos autores. Além de domingo, eu deveria ter participado hoje, mas aconteceram alguns problemas estomacais graves que impossibilitaram a minha participação. Ontem foi tudo okey. Eram quatro autores presentes, entre eles, eu. O carinha lia alguns contos e intercalava com entrevistas com um autor por vez. Ao final, houve a sessão de autógrafos.
Vou contar agora como foi o primeiro autógrafo da minha vida. Chamaram-nos para a mesa, que estava preparada para sentarmos e autografarmos os livros, no entanto, quando me levantei da cadeira, um senhor veio com o livro em mãos e me entregou. No entanto, fui pego de surpresa, pois não tinha caneta. Alguém ali por perto tinha, e me alcançou. Putz, como se dá um autógrafo? Assinar só o nome? Escrever um recado? Que recado? Quantas questões, meu pai? E agora? Já começava a suar nervoso, enquanto o senhor aguardava... Foi então que surgiu uma luz:
- Como é o seu nome? – perguntei.
- Eugênio.
Eugênio, Eugênio. Putz, pensei rapidamente, ainda bem que é um nome fácil. Imagina se fosse Cristian. Existem também Christians, com “h”, aí teria que perguntar “com ‘h’ ou sem ‘h’?”. Geralmente as pessoas não gostam que você pergunte como escreve o nome delas, porém, como jornalista, deveria estar acostumado com isso, pois nunca tive vergonha de perguntar como se escreve um nome. Mas, sempre tem um mas, para autógrafos a coisa é diferente. Um leitor não é um entrevistado. É muito mais que isso. Você não quer desagradar aquela pessoa que se dirigiu até você para pegar a sua assinatura, ou melhor, o seu autógrafo. Já estou me sentindo até experiente em autógrafos... tu vês. Enfim, enquanto todas as coisas se passavam pela minha cabeça, escrevi: “Eugênio, boas leituras, um forte abraço, Eduardo Ritter”. Acho que foi mais ou menos isso. E acho que foi isso que escrevi para os outros 25 ou 30 livros que me deram para autografar. Ou teriam sido 15? Ou teriam sido 50? Ou teriam sido cinco? Ou teriam sido 100?? Vá saber. Enfim, foram autógrafos para pessoas que eu não conhecia, o que me deixou um tanto sem jeito.
Antes de encerrar, vou contar rapidamente a história do carinha que estava ao meu lado. Minha irmã era a única criatura conhecida na história toda, e ela aproveitou para pegar o autógrafo dos outros autores que estavam presentes. E não é que o carinha dá em cima da minha irmã via autógrafo? O maluco escreveu mais ou menos assim: “Carol, obrigado pela preferência ‘indireta’, fulano”. Caraca. O indireta foi com aspas mesmo. Não conseguimos decifrar o real significado da frase, mas para mim, o sujeito deu em cima dela. Ainda disse pra ela, depois: “pô, essa é uma cantada inédita. Nunca tinha ouvido falar de dar em cima através de autógrafo... eu heim”. E assim segue a vida...
Enfim, foi uma boa experiência. Nunca imaginei que um dia ia dar um autógrafo. Já pedi vários: pra Fernanda Abreu, pro Ronaldinho Gaúcho, pro Paulo Nunes, pro Luis Fernando Verissimo, até pro Zé Alcino e pro Zé Afonso!! Que cosa. Agora chega de papo furado e vamos ao mini-conto, selecionado para o livro. Esclareço que o tema do concurso era “não deixe a vida esfriar” e havia um limite de, se não me engano, 400 caracteres. Ah, e o título eles que colocaram, pois não havia espaço na inscrição. Então, agora sim, segue o mini-conto:

Romance
Otávio voltou a se sentir vivo naquele entardecer.
Aos 64 anos, sentiu-se como se tivesse 15 quando viu aquela mulher loira, com olhar sedutor e belo sorriso. Decidiu conquista-la.
Dirigiu-se até ela e entregou-lhe uma rosa com um cartão que dizia:
“Sou o homem mais feliz do mundo por ter você do meu lado nos últimos 30 anos”.
E assim, Otávio e a esposa nunca deixaram as suas vidas esfriarem.

sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Aventuras nas águas paradas do Guaíba

A história que vou narrar aconteceu há uma semana. Convidei meu amigo Cristiano para ir visitar a Feira do Livro de Porto Alegre, dar uma olhada nas bancas, aquela coisa toda, e lá pelas tantas, resolvemos dar uma passada na Feira do Livro Infantil, na beira do Guaíba. Olhamos alguns livros, eu pensando em algo para dar de presente de aniversário para a Laura, já ficando na dúvida entre o Querido Diário Otário e o Castelo das Fadas, quando avistamos um navio, que estava parado, na beira do rio.
Havia uma fila gigante para entrar. Lembrei daquele passeio de barco que fazem, com saída lá do Gasômetro, e logo comentei com meu amigo: “acho que tem que pagar ingresso”. Meu amigo, então, resolveu perguntar para uma senhora que vinha descendo do barco, ou navio, vá saber:
- Tem que pagar pelo passeio ?
- Não – respondeu a senhora.
Bom, seguimos reto para a fila. Ficamos lá, parados, durante aproximadamente meia hora, embaixo de um sol infernal de uns 40 graus. Lá pelas tantas, não resisti e fui pegar uma água mineral gelada. Quando voltei, a fila estava andando. Subimos aquela rampa de acesso ao navio com alguma dificuldade, mas, em pouco tempo, lá estávamos, a bordo, prontos para desbravar os sete mares! Ou melhor, as sete pontas do Guaíba. Olhamos para o mar, quer dizer, rio, descemos uma escada, e olhamos a exposição da Marinha Brasileira com fotos e tudo o mais. Por um momento, olhei algumas pessoas dançando a música que rolava solta dentro do navio, como se aquilo lá fosse Ibiza, ou algo do gênero, cutuquei o meu amigo e disse:
- Veja você. Esse navio, praticamente de guerra, aqui, sendo usado para passeio com uma música tumtitum. Cadê os canhões? As bombas? Os tiros? As aventuras? Agora esses marinheiros estão aí, fardados, trovando loiras e morenas, casadas e solteiras, mães e adolescentes, na beira do Guaíba. O mundo não é mais o mesmo... – disse em tom saudosista...
- Que nada meu! – disse ele – Olha só aquela paisagem! – completou, apontando para duas montanhas que se exibiam ali perto.
E seguimos para uma outra fila, que levava até a cabine do piloto, motorista, sei lá como se chama quem dirige o navio. Após mais meia hora de fila, subimos. Porra, fazia tempo que aquela merda estava parada. Comentei isso com meu amigo, que concordou. Tinha um marinheiro parado por ali, com cara de sonso. Foi então que resolvemos perguntar para o maluco:
- Escuta, Popeye. Que horas sai o navio?
- Como assim.
Olhamos para ele com cara de Garfield.
- Que horas o navio sai daqui?
- Ah, nós saímos de volta para o Rio na terça-feira.
- Como assim, na terça-feira? – perguntei. Agora era ele quem olhava com cara de Garfield, enquanto nós estávamos parados com cara de Oddie.
- Sim, voltamos para o Rio na terça.
- Mas o navio fica, tipo assim, parado? Ele não sai da uma banda no Guaíba não?
O cara riu.
- Não.
Nos olhamos, frustradamente, e descemos de volta à terra firme. Enquanto passávamos pela fila de pessoas que esperavam para entrar no navio, resolvemos fazer um teste para saber se só nós imaginávamos uma aventura no Guaíba.
- Ei! – disse meu amigo para uma velhinha, com cara de ingênua – A senhora sabe que esse navio não sai para passeio, que ele fica aí, parado?
- Sei sim – disse ela.
Tu vês. E voltamos para a feira.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

A cura pelo palavrão

Após receber milhões de e-mails, mensagem no orkut, mensagens no celular, telefonemas e tudo o mais, finalmente consegui tempo para escrever aqui no blog, depois de quase uma semana de ausência. Explico-me: naquele mesmo sábado em que postei o último texto comecei a fazer um dos quatro artigos do semestre (um já está feito e enviado, portanto, faltam três) e no domingo passei na Feira do Livro com meu amigo Cristiano. Já na segunda, faxinei o AP, pois na terça receberia a visita do meu amigo Maurício, que estava vindo para o Seminário Internacional de Comunicação da PUCRS, e a minha irmãzinha, que de calma não tem muito, também chegaria, o que quer dizer que minha irmã chegando + apartamento sujo é = a confusão e briga... E como eu sou da paz, preferi passar o feriado lavando privada e roupa suja.
Mas enfim, na segunda de noite ainda peguei uma boa palestra com o Ignácio Loyola Brandão, numa espécie de bate papo com o professor Antonio Hohlfeldt, e de terça até hoje foi seminário manhã, tarde e noite. Ou melhor, muito mais tarde e noite do que manhã, no meu caso. Apesar disso, ainda consegui um tempinho para ir no jogo do Grêmio com o São Paulo no Olímpico na quarta de noite. Enfim, histórias não faltam, mas vou recorrer novamente a minha coluna do JM, e publico aqui, na íntegra, o texto que sairá na edição de sábado, que enviei agora há pouco para o jornal. No entanto, aconteceu tantas coisas além do jogo nesses dias, que prometo selecionar algumas das histórias cômicas que me aconteceram, principalmente a do navio da Marinha, para postar nesse espaço... Bom, chega de papo, que já está tarde, e segue o texto do JM:

A cura pelo palavrão
Eu sou um desbocado em potencial. Na verdade já desconfiava disso, mas confirmei essa hipótese na noite de quarta-feira, no estádio Olímpico, assistindo e xingando o árbitro Jailson Macedo Freitas durante pelo menos uns 80, dos mais de 90 minutos de jogo. Desde o início, a ilustre personagem marcava todos os tipos de faltas para o São Paulo e nada para o Grêmio. Ele só não deu um jeito de anular o gol do Grêmio, porque não havia como. Mas, já no primeiro tempo, eu e todo o estádio descarregávamos a nossa raiva contida do dia-a-dia naquela criatura que errava como poucos erraram na história do futebol brasileiro. Uma terapia, praticamente. A cura pela fala de Nietzsche. No caso, a cura pelo palavrão. O São Paulo empatou e veio o intervalo. O assunto nas arquibancadas era um só: o árbitro. Havia três hipóteses: ou ele tinha sérios problemas de vista, ou era ladrão, ou era são-paulino. Não vou ser hipócrita e inocentar o cara, dizendo que quero acreditar que ele é honesto e blá, blá, blá, até porque o consenso geral foi o de que ele era um *&#@¨$~&¨%¨$#&!
Enfim, a bola rolou para o segundo tempo e a situação só piorou. Após não marcar um pênalti claro para o Grêmio e de seguir marcando faltas inexistentes para o São Paulo, o seu Jailson Macedo Freitas resolveu expulsar três jogadores do tricolor paulista, sendo que o terceiro foi nos acréscimos. Ou seja: que tempo teria o Grêmio para usufruir dessa vantagem numérica, ainda mais se considerarmos que o seu Jailson deixou o Rogério Ceni deitar e rolar na demora para cobrar faltas e tiros de meta?
E, apesar de tudo o que aconteceu, o Paulo Autuori ainda inocentou o árbitro dizendo que não se deve criar uma cultura de reclamação no Olímpico. Ou seja, a solução para isso, para ele, é entrar em campo e jogar bola. Agora, usando essa fórmula, o time terá que correr muito mais em campo do que correria em uma situação onde não houvesse uma influência tão direta e tão visível do árbitro. É como se eu não tivesse que ter corrido do Olímpico até a Ipiranga feito um louco para pegar o T1 a meia-noite. Mas, como a Carris não tem o bom-senso de disponibilizar ônibus até mais tarde em dias de jogos da dupla, eu tenho que seguir reclamando e correndo atrás do prejuízo. Quem lucra com isso? No caso dos ônibus, os taxistas, já que é impossível ir a pé do Olímpico para o Partenon. E no caso do futebol, é o São Paulo, que segue firme rumo ao tetra.
Inter – Se o Grêmio deixou definitivamente da luta por uma vaga no G-4, o Inter, depois de perder em casa para o Botafogo, trocou a briga pelo título para ficar apenas na corrida pelos quatro primeiros lugares, que garantem uma vaga Libertadores. Confesso que depois do último domingo, acredito que teremos boas possibilidades de termos um Gre-Nal na Copa do Brasil ou na Sul-Americana...

sábado, 31 de outubro de 2009

Mais uma curta

Repórter com vestido de oncinha - Tipo assim, todo mundo tem um ídolo, qual é o seu ídolo?
Artista - Eu.
Repórter com vestido de oncinha - Tipo assim, em quem você se inspira, tipo assim, pro teu trabalho, saca?
Artista - Saco. Eu me inspiro na minha própria pessoa, saca?
Repórter com vestido de oncinha- Tipo assim, cara, você é demais. Qual é o par perfeito para você?
Artista - Hmmmm. Difícil essa pergunta... Acho que não existe ninguém do mesmo nível que eu....
Repórter com vestido de oncinha - Pena... Então, não posso ter esperanças?
Artista - Do que, guria?
Repórter com vestido de oncinha - De ser o teu par perfeito....
Artista - Por uma noite, até pode...
Repórter com vestido de oncinha - Hmmm. Bom, então vamos ali resolver a parada....
Não identificável - Hmmmmmm, jonkkkk, chompssss, chupssss, nhoccc, nhocccc, aiiiii, hummmm, ahhhhh, ohhhhhh, uhhhhhhhhhhhhhh, ahhhhhhhhhhh, fsmallahknkabaghhehakdhnsfn asdf wholfengrauerrrrrrrrrrbergggg!!!!!

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

Mini-contos

Saiu a lista das datas das sessões de autógrafos na Feira do Livro de Porto Alegre dos autores que tiveram seus contos selecionados para o livro da Nescafé, “Não deixe a vida esfriar”, realizado pela Nestlé em parceria com o grupo RBS. Na verdade estou em duas datas: na segunda-feira do dia 9 de novembro e no sábado do dia 14. Pedi pra trocar o sábado do dia 14, pois não estarei em Porto Alegre, porém, ainda não tenho a resposta (mandei o e-mail há dois minutos). Então, confirmada mesmo, está a minha participação no dia 9 de novembro. Convido a todos os leitorinhos para comparecerem lá, nessa data, apesar do Gérson Alemão, leitor oficial do blog, estar na Itália.
Bom, como eu não achei aqui a cópia do meu conto, que na verdade, como já disse, é um mini-conto de aproximadamente 6 ou 7 linhas, publico aqui outras quatro histórias curtas, inventadas agora, madrugada de sexta-feira.

Quatro mulheres conversando numa mesa de bar. Todas falam ao mesmo tempo:
Mulher 1 – Mas guria, tu viu que o Vicentinho deixou da Martinha e anda com aquela piranha da Vanessa, e tu acredita que eles...
Mulher 2 – Menina do céu, nem te conto... antes de eu vir aqui eu fiquei cinco horas no Marquinhos arrumando meu cabelo, e tu acredita que aquela bicha louca deixou meu cabeço de molho 18 minutos e 59 segundos, ao invés dos 16 minutos e 23 que ele sempre deixa? Olha só – diz ela apontando para o cabelo – meu cabelo está hor-ro-ro-so... todo enrolado... mas a pior foi...
Mulher 3 – Guria, o Vilson me ligou e queria saber onde eu ia hoje, e eu disse que sairia com as gurias, e ele ficou brabo só porque a tia dele ta passeando e ele queria que eu estivesse lá e...
Mulher 4 – Isso não é nada gurias, pior foi a minha tia que disse que estava se masturbando e caiu uma unha lá dentro, e ela teve que...
E o pior: elas se entendem...

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Quatro homens estão numa mesa de bar, bebendo.
Homem 1 – Olhem lá aquela mina – todos olham.
Homem 2 - ............
Homem 3 - ..................
Homem 4 – Que horas é o jogo do Corinthians amanhã?
Eles também se entendem...

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Sujeito está caminhando na beira da praia com o amigo e perde um dos chinelos que estava enrolado na camiseta, que ele segurava embaixo do braço direito. Resolve voltar e vê um grupo de crianças brincando de lançamento de chinelo dentro do mar.
- O guri, esse chinelo é meu. Da pro tio.
Guri nem bola, lança o chinelo para o amiguinho, que lança rapidamente para o terceiro.
- O guri, devolve o chinelo do tio...
Gurizada segue jogando o chinelo.
- O gurizada, o tio precisa ir embora, devolvam o chinelo... Gurizada... por favor gurizada...
Tio sai chorando do mar sem o chinelo, enquanto a gurizada segue o jogo do chinelo...

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Serginho está numa boate e resolve chegar na mina mais espetacular da festa: uma loira bronzeada de vestido de oncinha que vai até a metade das coxas.
- Olá.
- Olá.
- Tudo bem?
- Tudo bem.
- Como é seu nome?
- Alcinda.
- Hmmmm, belo nome.
- Obrigada.
- O que você faz?
- Estudo enfermagem...
- Quero ficar com você – diz o sujeito olhando pra ela.
- Como?
- Quero ficar com você.
- Falasério. Sai pra lá – diz aloira em tom de Sílvio Santos.
- Eu quero.
- Sai pra lá, já disse.
Ele baixa a cabeça, com ar triste. De repente arregala os olhos, ergue as mãos abertas, e grita:
- Pegadinha do Malandro!!!!

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

A dança do amanhã


Uma dança enlouquecida
Um corpo molhado
Malhado
Excitado
Suado pelo calor
Das chamas da cidade
Que pega fogo
Em meio ao frio calórico
Que choca, que racha
Que deslumbra, que encanta
Enfim, uma dança...
Uma dança do ventre
Uma dança no vento
Uma dança que inventa
Inventa uma vida
Inventa um amor
Inventa um sonho
Um sonho que se movimenta
Que se levanta, agita
Que acorda, que grita
Que deixa simplesmente
Sentindo algo muito melhor
Do que o que sentimos ontem.